Desde os tempos de Eva, a mulher sempre teve destaque, apesar do preconceito. Ganhou vários codinomes, como Amélia, Gabriela; atreveu-se a usar saia, queimou sutiã em praça pública, até que em meados do século XVIII, 130 operárias têxteis de Nova York entraram em greve para reivindicar a redução da jornada de trabalho, e morreram carbonizadas dentro de uma fábrica após enfrentarem uma rebelião policial. Por esse motivo, instituiu-se o Dia Internacional da Mulher na data de 08 de março. A partir daí a luta pelos seus direitos não parou mais.
Os anos se passaram e elas, aos poucos, ganharam espaço, poder e atualmente chegaram a lideranças jamais imaginadas. Em Piumhi, são diversos exemplos, algumas delas destacamos nessa edição.
Batalhadora - a mulher que luta para recuperar a auto-estima de mulheres e resgatar os jovens das drogas afirma que “trabalhamos com metas, pequenas, simples e possíveis, vivendo um dia de cada vez, fazendo o nosso melhor e buscando ser uma bênção para cada pessoa que convivemos”.
Wilma Terra de Castro, vice-presidente do Amor-Exigente em Piumhi e coordenadora da Off-Sina de Artes. Uma mulher que desenvolve um trabalho com outras mulheres mostrando a elas seus talentos e o que podem construir com as próprias mãos. À frente desse projeto, também desperta o valor dessas mulheres e auxilia no resgate da auto-estima de cada uma delas.
Para Wilma, esse trabalho é uma forma de ampliar amizades e se superar não só no artesanato, mas no sonho e na esperança, pois através disso as participantes descobrem outras possibilidades de viver e produzir.
Outro grande trabalho que Wilma realiza é com o Grupo Amor-Exigente, na difícil tarefa de recuperar os adolescentes e jovens dependentes químicos. “Aprendemos também a reconhecer que somos limitados; somos gente, erramos e acertamos, infelizmente nem sempre no ritmo que gostaríamos; mas não ficamos parados na dor, nos culpando e carregando para sempre o peso da culpa; aprendemos a reconhecer o nosso valor e força no poder superior que nos sustenta”, enfatiza.
Ela confessa que seu grande limite atual é a impotência frente à força destruidora das drogas na vida de tantos jovens, inclusive com o seu filho. “Não existem palavras para descrever a batalha e o sofrimento de uma família que vive o calvário da dependência química do álcool e das drogas”, revela Wilma.
Mulher coragem – a mãe que perdeu os dois filhos afirmou que no primeiro instante desacreditou de tudo, mas depois encontrou em Deus e no trabalho social uma forma de superar a dor.
A ministra da Eucaristia e coordenadora de grupo do ECC (Encontro com Cristo), Solange Pereira Morais tem uma história de coragem e superação incríveis. O filho mais velho Alexandre teve um linfoma, e após muita luta acabou falecendo em 2004 no dia do aniversário de Solange. Na mesma época, ela contou que sofreu um câncer no intestino, passou por um período complicado, mas através de uma operação conseguiu retirá-lo, e hoje está 100% isenta da doença.
Porém, após um e ano três meses da morte de Alexandre, o filho mais novo, Rogério faleceu de um acidente de moto com apenas 20 anos. Ela que tinha somente os dois, e ainda sofria com a perda do primeiro pensou que não suportaria a dor.
Confessa que no início chegou a desacreditar em Deus, porque não entendia a razão de perder os seus dois únicos filhos, e não encontrava resposta para sua dor. Depois encontrou na fé e no trabalho social à frente da Paróquia Santo Antônio, um motivo para seguir em frente.
“Minha família deu apoio e amor nesse momento. Os amigos que são muitos nunca faltaram. E meu marido também foi essencial, e continua sendo um grande companheiro que me dá força. Acredito que temos uma missão no mundo, e o meu propósito aqui era esse: cuidar desses anjos e tê-los por perto por um curto período de tempo”.
Hoje, ela disse que encontra na perda dos filhos um motivo para auxiliar pessoas que sofrem do mesmo mal. Solange faz parte de uma comunidade na internet de mães que perderam seus filhos e está sempre engajada em algum trabalho social à serviço da comunidade.
Ao relembrar os fatos, ela ainda emociona-se e revela que não fica um só dia sem pensar nos filhos Alexandre e Rogério. A casa cheia de fotografias mostra que mesmo não estando presentes, de alguma forma eles ainda estão ali. “Eu os vejo pela casa toda, onde quer que eu vá. Tem momentos que eu fico pensando que eles vão voltar e só estão fazendo uma viagem distante”, frisou.
Determinada – a mulher que trabalha como auxiliar de lavador vê no trabalho uma profissão normal como qualquer outra e confessa que nunca passou por algum tipo de preconceito
A auxiliar de lavador Karla Antônia de Oliveira trabalha em um posto de combustível local há cerca de três anos ao lado do marido. Ela afirma que o serviço é pesado por um lado, mas para quem gosta é satisfatório.
Karla disse que sabe fazer de tudo, desde limpeza até desmanchar peças, e confessa que aprendeu com o marido, pois anteriormente a esse serviço os dois tiveram um lavador.
Segundo a auxiliar, os clientes sempre a trataram com muito respeito e há alguns deles que têm preferência pelos seus serviços por serem mais detalhistas e caprichosos.
O casal que trabalha junto tem contato o dia todo, troca informações e muitas vezes, o marido a auxilia nos trabalhos mais pesados. Karla tem dois filhos, que ficam em uma creche pela manhã e à tarde vão para a escola.
A auxiliar sente-se realizada nessa profissão, além de fazer seu trabalho com amor e satisfação sempre sorridente. Mas confessa que sonha em ter um lavador próprio futuramente junto com o marido.
Caridosa – conhecida como ‘Maria dos aflitos’ ou São Francisco de Assis, essa mulher cuida de pessoas doentes e idosas de baixa renda. Para ela, nada é mais gratificante do que ver um gesto de carinho, afeto e sorriso de gratidão no rosto dos seus pacientes.
A dona de casa Maria do Carmo de Oliveira, desenvolve um trabalho social cuidando de pessoas idosas e doentes na cidade que não tenham uma boa situação financeira. Ela também acompanha pacientes que necessitam deslocar-se para outras cidades para fazer tratamento ou cirurgia.
Uma de suas preferidas é uma senhora idosa que necessita de cadeira de rodas e encontra-se muito debilitada. Maria do Carmo disse que vai todos os dias em sua residência, dá banho, comida, coloca-a na cama, e somente depois de cumprir sua missão, volta para casa.
“É muito gratificante ver o sorriso dessas pessoas, o carinho que elas têm por você. Esse tipo de gratidão não tem preço”.
Conhecida como Maria dos aflitos ou São Francisco de Assis, ela explica que herdou essa característica da avó paterna, a qual também não media esforços para ajudar o próximo, e faleceu aos 51 anos.
A dona de casa disse que quando seus pacientes falecem, ela fica triste, mas acredita que a missão da pessoa foi consumada e a dela também.
Há dois anos enfrentou uma cirurgia de cauterização e conta que sua única necessidade era ficar saudável depressa para voltar a cuidar de seus doentes. “Em 2001 eu tinha cinco pacientes internados e cuidava de todos incansavelmente”.
Maria do Carmo enfatiza que pretende continuar com esse serviço enquanto tiver saúde e vida para realizá-lo. Ela que não integra nenhuma religião atualmente, se diz praticante de boas ações. “Eu não tenho tempo de ir a uma igreja hoje, porque os meus pacientes precisam de mim. E eu não posso deixá-los abandonados. Eles são a minha missão”.
Valente – a farda, a bota e a arma não conseguem diminuir a beleza, vaidade e feminilidade da policial que atua nas ruas e já passou por situações de perigo na profissão.
A cabo Arlete Botelho de Faria, era filha de policial e quando via o pai exercendo a profissão acabou se apaixonando. Passava horas admirando a viatura e afirmava para todos que iria ser uma policial quando crescesse. Continuou firme em seu propósito, e aos 18 anos passou no concurso da Polícia Militar em Passos. Iniciou o curso que durou cerca de nove meses e quando formou-se foi para Alfenas, onde permaneceu durante um ano. Retornou a Passos, casou-se com um policial e mudou-se para São Sebastião do Paraíso. Depois veio para Capitólio e em seguida, Piumhi, onde encontra-se atualmente.
Há 15 anos como membro da Polícia Militar, Arlete afirma que vê a profissão como qualquer outra e confessa que nunca passou por preconceitos ou algum tipo de desrespeito em sua trajetória.
Em Piumhi, ela já desempenhou diversos tipos de ocorrência, além de serviços de rua e no trânsito. Em situações que saem da rotina ou de risco, revela que fica apreensiva, mas não tem medo de enfrentá-las. Nesses 15 anos, a cabo afirma que faz uso de armas somente quando necessário, mas nunca precisou atirar em alguém.
Ao contrário da policial, a mulher Arlete é uma pessoa tranquila, muito vaidosa, sensível, que gosta de passear, frequentar festas em horário de folga. Arlete preza a família como foco principal e sempre que tem folga gosta de visitá-los na cidade de Passos.
A policial que é instrutora do Proerd e do Garotos para a Paz atualmente sente-se realizada nessa profissão, e explica que o único projeto é retornar a Passos daqui alguns anos e ficar perto da família.
Empenhada – a mulher que sempre trabalhou pelo social e já fez parte da política piumhiense afirma que atualmente sua maior satisfação é realizar trabalhos para o clube da Terceira Idade.
Marlene de Souza Costa trabalhou a vida toda pelo lado social. Hoje desenvolve um serviço à frente do clube da Terceira Idade. Seu objetivo é valorizar e dar alegria às pessoas que estão depressivas ou tristes, resgatar talentos e incentivá-las a participar de festas e bailes. Além da Terceira Idade, Marlene sempre esteve empenhada na Sociedade São Vicente de Paula e trabalha com os idosos.
O início de sua vida social foi como presidente da Apromip, a primeira entidade de Piumhi, fato que lhe marcou muito. A trajetória na política piumhiense também foi uma experiência inesquecível para ela. Durante quatro anos atuou como vereadora e revela não ter medido esforços em benefício da população. “Valeu à pena! E hoje eu apoiaria as mulheres que tivessem vontade de ingressar nessa área”, enfatizou.
Ela confessa que veste a camisa e se envolve muito toda vez que realiza algum trabalho ou projeto. “Tudo que faço é porque gosto. Se não gosto, prefiro não fazer”.
Marlene sente-se uma pessoa realizada e afirma que enquanto puder e tiver vida pretende trabalhar à frente de entidades.
Fonte: Jornal Ponto.